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Thiago Barbosa Gomes

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Como exercitar o otimismo?

Meus trajetos de ônibus costumam envolver alguma leitura sempre que a paciência ou o espaço permitem. Em um desses, havia uma moça espremida ao meu lado enquanto eu lia um livro sobre sanidade mental e estresse. Eu a chamarei aqui de Roberta. E aí eis que Roberta reuniu alguma coragem e me perguntou pelo título do livro. Começamos a conversar. Mais do que o calor dentro do ônibus, Roberta parecia sentir um forte calor dentro de si. Era tanto que me disse ter ficado nervosa com sua família um pouco antes de sair de casa e que por ser muito impaciente sentia a necessidade de ler sobre o assunto. Sua vontade naquele momento era, em seus termos, de “esganar alguém”.


Não tenho como saber o que as pessoas pensaram ao ver e ouvir Roberta falar com seu olhar afiado, boca tensa e mãos enforcando o ar. Ela mesma, afogada em raiva, não deve ter percebido. Recomendei exercícios terapêuticos como ioga e meditação para saber manejar situações assim. Resposta: “não funciona”. Algum esporte ou atividade física para relaxar, então? “Não funciona”. Terapia! “Não funciona”. Ao menos um diálogo, Roberta! “Não funciona”. Descemos no mesmo ponto e antes disso a conversa já tinha sido encerrada de uma forma triste e sem jeito.


Sem otimismo ficamos mais vulneráveis, nos estressamos com muita facilidade, não conseguimos aproveitar um acontecimento bom e olhamos o mundo com desconfiança e ceticismo. Em outros termos, o otimismo tem total sintonia com nossa sanidade mental. Este artigo apresenta três pontos sobre ele: o que ele realmente é, seu impacto sobre a criatividade para lidar com desafios e um exercício para treiná-lo no dia a dia.

O que é o otimismo?


O otimismo é a capacidade de enxergar e valorizar o lado positivo de um acontecimento. Porém, isso não significa negar sentimentos negativos, o desconforto ou o trágico de uma situação. Ele é um traço da inteligência emocional que ajuda a criar soluções ou enxergar aquelas que muitos não percebem. É por isso que ele é considerado o primo-irmão da esperança.


Enquanto os otimistas enxergam um fracasso como um sinal de que algo pode ser mudado, os pessimistas são sempre desconfiados com outras pessoas e geralmente encaixam suas falhas pessoais a todas as ocasiões – passado, presente e futuro. Isso os torna mais vulneráveis ao adoecimento físico, algo relacionado à alta taxa de estresse. Não é a toa que o pessimismo está associado a uma menor expectativa de vida.


O que otimismo tem a ver com criatividade?


Quando conseguimos manter a calma em situações desconfortáveis, comunicar algo delicado ou desconcertante a quem amamos ou mesmo se impor sem faltar com respeito e empatia estamos sendo criativos. Exercitar o otimismo nos ajuda a enxergar o nosso estilo pessoal de reação, de enfrentamento, de aprendizado e de trabalhar.

Com otimismo, olhamos para nós mesmos com mais gentileza, realismo e segurança. A partir disso, enxergamos nossa história como uma narrativa que pode ser mudada pela nossa própria competência. Eis aí o motivo de ele se relacionar com a automotivação, outro traço de inteligência emocional.


Como exercitar o otimismo, então?


Não é tão fácil acionar o otimismo. Em meios aos desafios pessoais, somos bombardeados de histórias negativas e trágicas. Por si só, cada um desses dificulta o exercício do otimismo por conta do medo e da desconfiança. É um treino mental que exige muito mais do que vê-lo como uma boa ideia. Exercitar o otimismo acontece na junção de três hábitos:


- Regra 3:1 (Regra três para um): ela consiste no seguinte em encontrar três pontos positivos para cada um desafio em que estamos. Isso estimula nossas vias neurais a buscarem por mais soluções e focar no que há de bom em meio ao caos sem ser fantasioso ou ingênuo. É um meio de aproveitar as boas notícias, também.


- Não encarar vulnerabilidade como fracasso: ao invés de evitar por completo sentimentos de impotência, o truque é aumentar nossa tolerância a eles. Como? Por compreender que eles fazem parte do nosso viver e produzir e que isso não minimiza nosso caráter, dons e ganhos anteriores que conquistamos.


- Cercar-se de pessoas otimistas: nossos hábitos sofrem uma poderosa influência do ambiente ao redor e os tipos de pessoas nele. Aquelas pessoas que já estão acostumadas e treinadas a enxergarem soluções com mais facilidade servem de aprendizado e inspiração, nos levando a cultivar em nós mesmos o otimismo, a esperança e a criatividade.


O exercício do otimismo ajuda a reavaliar nosso sistema de crenças e o jeito com que enxergamos e contamos nossa própria história. A partir disso, nos relacionamos não como achamos que deveríamos ser, mas como realmente somos. Se conectar com outros fica mais agradável e fluido. Outra consequência positiva do otimismo, em termos de convivência, é que passamos a selecionar melhor as pessoas ao redor e nos afastamos de gente tóxica, interesseira e abusiva. Tomara que Roberta enxergue isso a tempo!



Fontes

Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente – Daniel Goleman, Editora Objetiva (1995)

Como manter a mente sã – Philippa Perry, Editora Objetiva (2012)

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