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Thiago Barbosa Gomes

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Harry Potter e a Câmara Secreta


Já conversamos antes, bem aqui, sobre o impacto mundial de Harry Potter. Tanto na cultura quanto na ciência. Uma pesquisa italiana em psicologia aplicada verificou que os leitores da saga desenvolvem mais empatia e humanidade. Dando continuidade aos artigos sobre este universo, hoje iremos trazer à tona o simbolismo contido no segundo capítulo desta história: Harry Potter e a Câmara Secreta. De modo geral, o filme é uma metáfora à entrada na adolescência, esse período em que precisamos aprender a nos equilibrar entre as transformações do corpo e as tantas fragilidades do mundo que nos rodeia.


Contextualizando...


Um grande perigo assombra a integridade de Hogwarts. Logo, a própria vida de Harry está em (ainda mais em) risco. Afinal, a escola é seu porto seguro e um atestado de sua identidade. Este ano, a morte se revela como uma possibilidade cada vez mais forte. Torna-se um fato, aliás, por conta dos ataques do basilisco à instituição. É a primeira vez que Harry tem contato direto com a violência e suas sequelas.


Adolescência: aonde estão os monstros?


Os ataques do basilisco, bem como ele próprio, são uma alusão à violência urbana que nos ronda sem uma fonte única e específica. A mesma que nos provoca medo, ansiedade e congela. As vozes que Harry escuta correrem pelas paredes fazem parte dessa metáfora. Ao mesmo tempo, todos esses acontecimentos se referem às imposições do adolescer com suas transformações físicas e mentais que fazem o jovem enxergar o mundo de forma diferente em meios aos impulsos a que ele precisa aprender a controlar.


Do ponto de vista da inteligência emocional, Harry precisa conhecer melhor e lidar com sua própria vulnerabilidade enquanto vai conhecendo as vulnerabilidades das figuras importantes em sua vida: Hagrid, com sua ignorância; Rony pela sua condição financeira; Hermione, pela sua origem familiar; Dobby, pela sua condição de elfo. Em todos os casos, condições que os tornam objeto de preconceito e exclusão social. Assim, a própria Hogwarts se revela como um local vulnerável, já que a violência e a morte também pode acontecer nela.


O medo como autoridade cultural


Toda a trama gira em torno de uma manipulação de Voldermort, que aparece na forma de Tom Riddle. Literalmente, uma memória viva. Sua influência sobre as circunstâncias representam a autoridade cultural do medo e o quanto pensamentos negativos engaiolam a resiliência. Afinal, toda a comunidade bruxa ainda se sente amedrontada por apenas mencionar o nome de Voldemort em voz alta. É uma alusão clara à neurose, onde fantasmas do passado enfeitiçam e assombram.





Como toda criança, Harry começa a enxergar melhor a ordem social que conduz o mundo bruxo, o lugar do caráter, da influência, as tradições e o preconceito. Naturalmente, no mundo real (o nosso mundo trouxa) as crianças são conduzidas a isso de formas bem diferentes. Harry passa por todas essas transformações de maneira impactante. Lucio Malfoy e Gilderoy Lockhart são personagens muito simbólicos que dizem respeito a isso. Ele contribuem para o desenvolvimento desse outro olhar de Harry para a vida.


A partir desse ano, as circunstâncias vão exigindo cada vez mais de Harry uma postura diferenciada. Ética, honra, cultura, escolhas e memória se misturam em situações por vezes não tão compreensíveis e nebulosas a primeira vista – assim como na vida real, conosco.


Ao contrário de sua convivência tóxica e opressiva com os Dursleys, mesmo com a complexidade, e agora a conhecida fragilidade do mundo bruxo, esses desafios se tornam fonte de autoconhecimento e melhora. Harry ainda continua em situação vulnerável, porém ele aprende que sua fortaleza se encontra nas pessoas que se mantém ao seu redor, a valorizar o seu caminhar e a enfrentar seus monstros - sejam eles cobras gigantes, o medo ou o elitismo.


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