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Thiago Barbosa Gomes

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Como a curiosidade nos fortalece?

Atualizado: 21 de Dez de 2019

Quando criança eu era muito curioso. Misturava produtos aleatórios como cremes, pastas e géis, tudo escondido é claro, na tentativa de causar uma reação química diferente que mudasse o dia. Aos poucos, essa curiosidade é que foi se transformando. Das reações químicas o interesse se voltou para as reações que temos e desenvolvemos pela vida. Aquilo que acontece entre o mundo e as pessoas. Entre as pessoas e seus mundos.


A forma como exercitamos a curiosidade diz muito da nossa visão de mundo, do jeito como investimos em nós e em nossos relacionamentos. Ela invertida aparece na forma de fofoca. Neste artigo, você vai aprender sobre a forma saudável da curiosidade, o que ela tem a ver com nossa aptidão mental e como ela nos fortalece como indivíduos.



Foto: Unsplash


O que é a curiosidade?


Geralmente, a curiosidade é associada ao conhecimento de conteúdos escolares, novas tendências de mercado ou comportamento, leitura ferrenha e estar informado das notícias jornalísticas. Porém, ela é muito mais que isso.


A curiosidade integra nossa aptidão mental que hoje persiste em poucos. Ao contrário de uma árvore que se espalha por onde o espaço deixa, a curiosidade contemporânea é como uma plantinha modesta que nasce no asfalto cinzento e sujo. A rotina, as preocupações, os imprevistos, o cansaço e a falta de crença em si mesmo são como as camadas de poeira, asfalto e dureza que a plantinha precisa desbravar até alcançar a luz.

A curiosidade é esse exercício de crescimento que tem a ver com se permitir experimentar, analisar o desconhecido por querer e não por imposição. Julgamentos moralizantes não acontecem, por não se prender a uma única forma de ser e fazer, a pessoa curiosa cresce como uma árvore livre no campo: ramos espalhados e raízes fortes. Ou seja, seu conhecimento se expande baseados na força de seus valores.


Como funciona a pessoa curiosa?


A pessoa é curiosa não pela quantidade de livros que consome ou pelo número de perguntas que faz. A pessoa curiosa é aquela que observa e questiona o funcionamento das coisas. Tanto em si mesma como no mundo.


É um insatisfeito que usa os próprios sonhos, as manias, seu jeito de trabalhar e o desempenho como informações para entender melhor, produzir com mais prazer e saber como irá enfrentar os desafios sem tanto desgaste.


Tudo no ambiente – a opinião de alguém, os possíveis motivos de as pessoas agirem de determinada forma e como isso se relaciona às suas motivações como ser humano e mesmo os impactos dessas relações a nível social – é também fonte de aprendizado. Isso porque a pessoa curiosa sabe o quanto as coisas se conectam, mesmo que reconheça não entendê-las muito bem.


Esse tipo de atitude torna mais fácil exercitar a resiliência, a esperança, o otimismo e a humildade. Lidar com a tristeza se torna a um jeito de crescer também. Em resumo, o mundo é enxergado pelo curioso não como ele é, mas como poderia ser. É por isso que seu nível de autoconsciência é mais aprofundado.


Como a curiosidade fortalece nossa aptidão mental?


A curiosidade tem tudo a ver com a nossa sanidade mental. Se não nos tratamos como fonte de aprendizado, ou seja, se a gente não se trata com curiosidade, nossa autoconsciência não amadurece. O outro se torna fonte de críticas ou inveja e, com isso, nossa comunicação se torna opressiva e violenta.


A curiosidade é como um adubo para o florescimento e fortalecimento não só de nosso intelecto como também de nossas virtudes. Sem ela agimos no automático, repetindo hábitos que não contribuem para nada mais do que a sobrevivência.


Sem curiosidade nosso crescimento é sentido como uma fantasia sempre distante. Acreditar nas próprias capacidades é mais difícil assim como é para uma plantinha que nasce no asfalto desbravar a dureza da sua condição.


Então como ser mais curioso?


Em geral, há artigos que sugerem ler o máximo de coisas que agradam, outros aconselham a buscar por todas as informações fora da nossa área de trabalho. Ainda há aqueles que ditam a necessidade de fazer um cronograma de leitura e estudo enquanto que outros encaram a rotina como algo que encaixota a curiosidade.


O que eu te proponho é usar a curiosidade a partir da pergunta básica que a define: por quê? A partir dela, construímos outras formas de encarar o comportamento de alguém, uma tradição familiar nunca antes questionada, formas de trabalhar, os hábitos de uma sociedade. Através disso, trilhamos o como?, para onde?, e se...?, quando?.


A curiosidade, quando usada de forma saudável, fortalece nosso jeito de conviver, de conversar e de trabalhar também. É uma das formas de perseverar na dureza, na incerteza ou mesmo na monotonia. Não precisamos ser indiscretos, argumentadores demais nem impositivos com esse desejo tão natural de saber mais.


Começar aos poucos é o que faz crescer. O fim deste artigo pode ser uma oportunidade, por exemplo. Porque você o leu logo neste momento do seu dia? O que isso teria a ver com a maneira como conduz sua rotina? Dá para exercitar algo daqui nela? Como?




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